Show “Muita estrada e pouco chão”, de Marquim D’Morais

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O cantor, compositor, produtor cultural e arte-educador Marquim D’Morais faz três apresentações do show “Muita estrada e pouco chão”. Na ocasião o artista vai levar para o público cerca de 20 canções compostas ao longo de seus 25 anos de caminhada na arte. Canções como “Do Alto do Morro”, que dá nome ao seu primeiro álbum, “Nas Estradas” e “Ritmo é Poesia”, presentes em seu segundo e último disco, e outras lançadas como single estão no repertório do show. “’Muita Estrada e Pouco Chão’ pode ser o fim da jornada, mas também pode ser o começo. Depende de como enxergamos o muito e o pouco”, reflete o artista. Serão três apresentações, às 15h, em diferentes endereços o Aglomerado da Serra, dia 13/9 e 1810, domingo e 24/10, sábado, com entrada gratuita e classificação livre. 

O projeto “Muita estrada e pouco chão” é realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Marquim mostra neste projeto uma nova etapa de sua carreira. Os shows reúnem músicas dos álbuns “Do Alto do Morro”, “Daqui Até Onde Eu Quiser”, e canções inéditas que transitam em diferentes gêneros. “Minha obra já soma mais de 500 canções que passeiam por diversas vertentes, entre cantigas de capoeira, samba, reggae, RAP, Funk, baladas, MPB e mais”, conta o artista. Em cada uma das apresentações o artista leva os convidados como As Pandeiristas, coletivo musical formado por mulheres, Ohana, MC, cantora e compositora da RMBH, e o Coletivo Avuante, que promove poesia marginal e da literatura periférica. “Acredito no movimento de coletivizar, e assim como eu, várias pessoas estão por aí realizando, criando, e proporcionando ao mundo um pouco de saúde através da arte, da cultura, e do conhecimento, e nada mais justo que dividir cada facho de luz com essas figuras”, afirma o artista.

 A escolha dessas convidadas se deu porque Marquim ele entende que o trabalho dessas artistas precisa ser reverberado. “São figuras importantes para a construção da memória coletiva, para a formação de referências pra quem tá vindo depois, e tê-las presentes nesse e outros movimentos, também garante que a construção da memória cultural não ficará nas mãos de uns e outros que estão suportados por fatores que nada tem a ver com a feitura da arte”, justifica. Todas as três apresentações serão em vilas que formam o Aglomerado da Serra, local de nascimento do artista. Marquim entende que como o conceito africano de Sankofa, é preciso olhar para passado para construir o futuro. “Eu sou um artista nascido e criado no Aglomerado da Serra, mais especificamente na rua Ritmo - e exibo com muito orgulho o meu status de favelado. 

São 38 anos de vida, e não consigo ver nenhuma perspectiva de futuro, sem olhar pra trás. Sem lembrar das minhas raízes firmadas na terra onde “zumbi foi eleito” e toda a riqueza que herdei sendo filho de um lugar onde o morro, muitas vezes, é verbo - mas muitas vezes aponta pra subida”, orgulha-se. Durante o show serão declamadas poesias e realizadas performances. Os textos serão trazidos ao longo da apresentação de forma a apresentar e dar o tom do espetáculo. “São todas poesias minhas, e eu não as escolhi. Elas é que vão escolher o momento que querem se manifestar. Às vezes o olhar de alguém do público que vai trazer a próxima poesia. Às vezes algo que alguém diz ao longe, ou um sentimento que salta do meu peito”, explica.

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